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Isto É Peanurs

Cinco cursos para quem não quer ser desempregado


Já começaram as candidaturas à universidade e eu, como cidadã exemplar que sou, venho ajudar os mais indecisos a encontrarem um curso que no final terá emprego. Vejam então as minhas cinco sugestões:

 

Engenharia

 

Não interessa de que tipo é. O importante é ter engenharia no nome. A partir destes momentos todos os cursos se tornam melhores e mais difíceis e, por isso mesmo, uma empresa não irá deixar no desemprego um concorrente com uma licenciatura em Engenharia Química em detrimento de um com uma mera licenciatura em Química. É lógico. Não se esqueçam é que em grande parte das engenharias é fácil entrar mas difícil sair!

 

Enfermagem

 

Pode parecer que estou a gozar convosco, mas não. Se a vossa cena é a medicina e têm um nível de inglês impecável ganho com muitos anos de House ou Anatomia de Grey, Enfermagem é o curso certo para vocês. Tem uma média baixa (ao contrário de Medicina) e talvez muitos pensem que não há doentes para tantos enfermeiros. Errado! No Reino Unido estão sempre a precisar de enfermeiros portugueses.

 

Design

 

Se vocês soubessem a quantidades de anúncios para design que eu vejo todos os dias metiam o curso nas seis opções sem pensar duas vezes. Se não quiserem tirar o curso vão aprendendo a mexer no Photoshop e afins com aqueles tutoriais do youtube ou vejam Mr. Robot.

 

Educação

 

Quem acha que o sector da educação está lotado, tem razão. Quem acha que há professores a mais para escolas a menos, também tem razão. O que não há são professores a mais para manifestações da CGTP. Nós queremos o pessoal da CGTP a trabalhar e tendo em conta que a única coisa que eles fazem é organizar manifestações, é melhor que exista alguém que queira efetivamente manifestar.

 

Línguas

 

Também pode parecer uma área lotada, mas é tudo uma questão de saber escolher as línguas que se estudam. Uma excelente opção é árabe. Porquê? Pensem comigo: o Estado Islâmico está a evoluir a olhos vistos e uma organização deste nível não pode continuar a comunicar-se numa língua que poucos entendem, portanto mais tarde ou mais cedo terão de contratar tradutores.

25 de setembro - o dia em que conheci o génio do humor

O facebook lembrou-me hoje que, há exactamente um ano, conheci o génio do humor português. Falo, inevitavelmente, do Ricardo Araújo Pereira. Há anos que sou fã dele e, no ano passado, tive o prazer de, durante três meses, assistir às aulas dele (sim, ele é "professor").

Há um ano tinha ido à faculdade para resolver uns problemas de matrícula e afins (uma história complicada). Quando lá cheguei apercebi-me que tinha escolhido precisamente o dia em que a secretaria fechava mais cedo. Para não dar a viagem como perdida infiltrei-me na aula de Escrita de Comédia. Não estava inscrita nem tão pouco sabia onde era a aula. Uma rápida pesquisa na net deu frutos e acabei por encontrar a sala em questão minutos antes da aula começar. Quando cheguei estavam duas ou três pessoas à espera e aquele que eu tanto admirava encostado à parede à espera que fosse seis horas para começar a aula.

Sabem aquela sensação de conhecerem alguém que admiram mesmo muito? É giro quando pedimos uma foto. Imaginem passar duas horas de aula a ouvir essa pessoa a falar sobre os mais diversos assuntos. É possível que as aulas dele tenham sido as únicas em que nunca mexi no telemóvel. Era super interessante ouvi-lo falar. Sim, ele é mesmo inteligente. Não é o melhor professor do mundo, nem lá perto, mas foi sempre excelente comigo. Pedi-lhe uma foto no final dessa primeira aula. Tremia por todos os lados e ele ainda "gozou" com a minha altura. Vim-me embora completamente histérica. Durante dias não falava noutra coisa.

Ao longo do semestre ainda lhe pedi um "agrafo" (como diz o JJ) e entreguei-lhe um texto (um género de antevisão para o trabalho final) que ele leu e comentou comigo na aula seguinte. Foram as únicas aulas em que participei de forma espontânea (geralmente para vincar a minha veia benfiquista). 

No final do semestre tínhamos de entregar um trabalho. Não havia muitas regras. Só tinha de ter piada. Fartei-me de trabalhar nele. Testar piadas nas pessoas, melhorar uma ou outra palavra que eu achava que tinha mais graça. Foram sete páginas que demoraram semanas a ser construídas. Tive 19. Não sei se por ser benfiquista ou se por lhe ter dito que era a fã número um dele. Não me interessa. Tive um 19 na faculdade. Dado por uma pessoa que admiro imenso. Num trabalho que era suposto ter piada. Se eu fosse uma pessoa sensível tinha chorado quando vi a nota. Até porque agora cada vez que os meus amigos dizem que eu não tenho piada, ouvem um "o melhor humorista deste país discorda".