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Isto É Peanurs

Não, eu não sou Charlie

Depois dos atentados do Charlie Hebdo a hashtag #JeSuisCharlie foi usada até à exaustão. Nunca a usei por um motivo simples: não posso ser algo que não conheço a 100%. Como licenciada em Ciências da Comunicação, sempre prezei a liberdade de imprensa, mas toda a liberdade tem limites. No Charlie Hebdo deviam saber isso melhor que ninguém. 

 

O jornal francês fez uma caricatura em que o miúdo que morreu, e cuja foto do corpo estendido na praia correu o mundo, onde este aparece já mais velho, com uma cara de porco e a correr atrás de uma mulher numa clara alusão ao que se passou na Alemanha na passagem de ano. 

 

 

A mim sempre me ensinaram o que é respeito. Infelizmente nem todos têm essa sorte. O Charlie Hebdo sempre mexeu com a religião e a religião é um dos temas em que o humor precisa de cuidado, muito cuidado. 

 

Lembro-me de estar numa aula de escrita de comédia e de alguém perguntar ao Ricardo Araújo Pereira quais eram os limites do humor. Ele disse que o humor não os tinha, que podíamos rir com qualquer assunto. Daí a conversa partiu para o humor negro. De facto, acredito que o humor possa ser usado em tudo, inclusive na religião. Tem é de ser pensado. E os jornalistas do Charlie Hebdo não pensam. Limitam-se a servir uma vingaça. Isto não é humor. Ninguém se ri com isto. Tal como eu nunca me ri com as poucas caricaturas que tinha visto ainda antes dos atentados ao jornal. É por isso que nunca fui Charlie. Não bastam meia dúzia de risco e uma frase satirica para se chamar humor. 

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