Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Isto É Peanurs

Expressões parvas usadas pelos portugueses

A língua portuguesa é rica em figuras de estilo e a metáfora é uma das mais utilizadas sobretudo em expressões do nosso dia-a-dia. Qualquer estrangeiro que nos oiça a dizer uma das 10 frases que se seguem fica a olhar para nós como se fossemos as pessoas mais estranhas. Porquê? Porque, de facto, a grande maioria delas são parvas e não têm nada a ver com o seu significado.

 

Passar pelas brasas

 

Porque dizer a alguém que essa pessoa acabou de dormir uma sesta é demasiado mainstream, diz-se que a pessoa acabou de passar por brasas. Ou seja, em vez de nos referir-mos a dormir, falamos de brasas. Porque é que não dizemos então "passar pelos fósforos" ou "passar pela lenha"?

 

Valer a pena

 

O meu pai costumava responder tantas vezes à expressão "não vale a pena" com um "vale a galinha" que eu acabei por ganhar essa mania e digo-vos que é extremamente irritante. Mas de facto qual é a lógica de dizer que algo vale ou não a pena em vez do esforço? Não iria dar ao mesmo dizer esforço em vez de pena? Claro que sim, mas os portugueses acham que não vale a pena (nem a galinha) falar como pessoas normais.

 

Muitos anos a virar frangos

 

"Como é que fazes isso tão bem?" "Olha, são muitos anos a virar frangos". Felizmente os meus talentos são pouco mais que nenhuns e, por isso mesmo, ninguém me pergunta como é que eu sei fazer o que quer que seja. Evitam-me o trabalho de usar esta expressão ridícula.

 

Bater as botas

 

Não, a sério, alguém pensou que bater botas não tem absolutamente nada a ver com morrer? Quem é que inventou isto? E quem é que achou esta metáfora tão genial ao ponto de a usar?

 

Apanhar ar

 

As pessoas dizem constantemente (principalmente nos filmes porque na vida real ninguém usa esta expressão) que precisam de apanhar ar e, no entanto, eu nunca vejo ninguém realmente a apanhar ar. Não sei se é mais estúpido alguém dizer que precisa de apanhar ar ou dizê-lo e não o ir apanhar. Esta expressão só faz sentido para aquela pessoa que decidiu fazer da venda de ar de Fátima um negócio.

 

Ter lata

 

Mas lata de quê? De tinta? De sumo? Ou uma daquelas que dão com as fitas de finalista na faculdade? Expressão demasiado genérica, há muitas latas no mundo.

 

Barriga a dar horas

 

Da mesma forma que a palavra saudade só existe em Portugal, as barrigas que dão horas também. É uma pena que a minha não seja dessas porque me poupava muitas idas ao telemóvel ver que horas são. Por outro lado o meu telemóvel serve para pouco mais que isso portanto talvez seja bom a minha barriga não dar horas.

 

Chorar sobre leite derramado

 

Já entornei muito leite na minha vida (sobretudo quando estou a abrir os pacotes) e isso nunca me fez chorar. Claro que toda a gente me chama insensível e portanto não sou o melhor exemplo. Digam-me, já choraram por leite derramado?

 

Procurar uma agulha num palheiro

 

Será que houve mesmo alguém a procurar uma agulha num palheiro? Será que alguém perdeu uma agulha num palheiro? Ou será que alguém escondeu uma agulha num palheiro? Não era mais simples comprar uma agulha nova? O que é que alguém foi fazer com uma agulha para um palheiro? A quantidade de perguntas geradas por esta expressão são imensas.

 

Sentir dor de cotovelo

 

Sim, porque quando se sente inveja de alguém começa-nos claramente a doer o cotovelo. A mim o cotovelo só me dói se bater em alguma coisa, e acreditem que eu sinto inveja. Ainda há dias a senti quando vi que alguém tinha ganho o Euromilhões.

Questões que assolam a humanidade #19

 

O que é uma cabeça-de-alho-chocho?

 

Interessa antes de mais esclarecer a grafia desta palavra. Diz a internet (porque, sabe-se lá como, nunca necessitei de escrever tal coisa em toda a minha vida) que se escreve com hífen, mas parece-me que com o novo acordo ortográfico isso possa ter mudado. Havendo falta de fontes fiáveis, vou manter os hífenes.

 

Uma pessoa apelidada de cabeça-de-alho-chocho é uma pessoa distraída (pelo menos assim o diz um qualquer dicionário online). Questão respondida. O que me incomoda são os vários significados da palavra chocho tendo em conta que nenhum deles se aplica a distração nem nada que se pareça. E, de todos eles (que podem ver aqui), há talvez um que se aplique a alhos, que é o primeiro. Agora expliquem-me lá porque é que há pessoas que insistem em usar esta expressão...

 

Não vamos passar uma vergonha na Eurovisão!

Sabem há quantos anos não temos uma música digna a representar-nos na Eurovisão? Há demasiados. E este ano, apesar do que muitos portugueses dizem, temos uma música de qualidade a representar-nos. Talvez não consiga um bom lugar (e eu acho que não consegue), mas pelo menos não nos faz ter vergonha de sermos portugueses. Foi uma vitória justa de uma melodia simples mas extremamente bem interpretada. Não lhe encontro a magia que muitos parecem ter visto mas tenho de dar o braço a torcer e reconhecer a justiça deste resultado. Eu mesma aplaudi de pé esta vitória. Chateia-me que se tenham mudado músicas e atuações entre a semifinal e a final e o júri tenha votado a ver vídeos da semifinal. Chateia-me que a qualidade do som nas semifinais tenha sido miserável e acima de tudo chateiam-me aqueles que fizeram músicas bastante fracas.

 

 

Há muitos anos que o Festival da Canção não era tão bom e há muitos anos que não me trazia nada de novo. Este ano fez-me ir ouvir o álbum que o Salvador lançou no ano passado e fez-me perceber que, mesmo não adorando "Amar pelos dois", é bastante bom. Oiço muitas influências do Jamie Cullum em várias músicas e isso agrada-me imenso não fosse eu grande fã dele. A juntar a isso, graças ao Festival ainda fui ouvir Virgem Suta. Apetece-me dar um tiro a mim própria por nunca o ter feito. Genial. Tanto como a música que apresentaram no Festival que era uma das minhas preferidas e uma das que aplaudi de pé.

 

 

E, para falar da minha preferida, vou copiar aquilo que escrevi no facebook sobre ela: 

 

Não votava no Festival da Canção desde 2011. Amigos meus dizem que eu não consigo ser imparcial porque ouvi esta música antes do tempo. Sou tão imparcial que achei a actuação da semifinal má. Sou tão imparcial que achei a vitória do Salvador justa. O que não acho justo é a forma como esta canção tem sido tratada. Eu não sei nada de música, mas parece-me que ainda ninguém se deu realmente ao trabalho de ouvir a sério este instrumental. Ainda ninguém percebeu a quantidade de instrumentos que a música tem e forma genial como estão conjugados (se se gosta do estilo já é outra conversa). Há dois anos escrevi no twitter que "as músicas do Nuno Feist são demasiado boas para o Festival da Canção" e, de facto, são.


Vamos bem representados à Eurovisão este ano (e há muito que isso não acontecia) e é por isso que, mesmo que queira, não consigo ficar chateada. Estou triste porque uma das minhas músicas preferidas de sempre do FC não ganhou, mas para mim o Festival foi ganho no momento em que alguém cujo trabalho admiro há anos ouviu um conselho meu e fez ligeiras alterações à música graças a esse conselho. É uma pena que o júri não tenha sequer tido a oportunidade de votar nesta nova versão.

 

10 coisas que aprendi com House

Depois das 10 coisas que aprendi com Supernatural, pareceu-me (razoavelmente) interessante fazer o mesmo com uma série que toda a gente conhece. Eu estou a fazer maratona de House e falta-me a última temporada mas, tendo em conta que os episódios são sempre iguais, parece-me que já estou apta a fazer uma lista interessante.

 

O primeiro diagnóstico nunca está certo

 

Nem o segundo. Quando o doente estiver quase a morrer é que vamos ficar a saber o que ele tem.

 

Invadir a casa de um doente é a melhor forma de o curar

 

Notem que quando alguém está no hospital não está ninguém em casa dessa pessoa quer ela more sozinha ou não. Mais, assaltar uma casa nos Estados Unidos deve ser uma tarefa bastante fácil. 

 

Podes ser a pior pessoa do mundo e mesmo assim ter amigos

 

Mentiroso, manipulador, egocêntrico... Não importa quantos defeitos tens, há sempre um Wilson neste mundo disposto a ser teu amigo.

 

Qualquer pessoa pode ser tratada pelo melhor médico do mundo

 

Não importa se é um diplomata rico ou uma desempregada como eu. Quem é que paga as despesas? Ninguém sabe.

 

Viajar pode dar sérios problemas de saúde

 

Qualquer local fora dos EUA é extremamente propício ao aparecimento de doenças. É normal, o ar nos EUA não tem qualquer tipo de poluição.

 

Antes de melhorares tens de piorar

 

Piorar muito. Assim quase a chegar ao ponto em que estás mais para lá do que para cá. É uma coisa que se diz regularmente, mas House provou este ditado. 

 

Nunca é doença de Wilson, mas toda a gente a sugere

 

Que doença é esta? 7 temporadas depois e eu ainda não sei porque ninguém a tem mas há sempre alguém que a sugere.

 

Toda a gente deve fazer uma ressonância magnética

 

E uma punção lombar. Curiosamente ninguém consegue fazer a ressonância magnética até ao fim porque começam a entrar em pânico, ou a falar demais, ou a mexer-se demais ou desmaiam...

 

Se fores um génio podes enganar toda a gente sem consequências

 

Podes mentir e pôr a vida do teu paciente em risco que não vais ser despedido.

 

 

Toda a gente mente

 

  old but gold

Ser amiga...

... é não usar o argumento "hoje não dá, joga o Benfica" para não ir à festa de aniversário de uma amiga hoje. Sobretudo porque em casa dela nem rede decente há para seguir o jogo pelo twitter. Espero que ela perceba o gesto grandioso que isto é.

Questões que assolam a humanidade #18

 

Porque é que os bebés têm meses em vez de anos?

 

Já vos aconteceu perguntarem a uma mãe a idade do filho bebé e ela dizer-vos "18 meses"? Claro que já. Há uma espécie de regra social que obriga os pais a responder a esta pergunta em meses em vez de anos para que o recetor da mensagem seja obrigador a exercitar o seu cérebro preguiçoso. Se por um lado acho que faz todo o sentido pôr em prática as milhentas aulas de matemática que serviram para pouco mais que nada, por outro acho uma perfeita estupidez que não se diga "um ano em meio" em vez de "18 meses". Se a data não for certa, arredonda-se que ninguém precisa de saber o número de dias exatos que a criança tem. Mas atenção, se isto é grave nas idades dos bebés, é ainda pior na gravidez. "De quanto tempo é que estás?" "De 31 semanas". A sério? Não dá para responder "quase 8 meses"? Tenho de ser eu a fazer as contas? Há uma solução para este problema que é que eu uso normalmente: não perguntem. Vão parecer desinteressados mas pelo menos não têm de se dar ao trabalho de fazer contas de cabeça.

As 10 maiores pérolas do festival da canção desta década

Em jeito de previsão para aquilo que vai ser o FC 2017 que começa no domingo trago-vos esta lista. Ninguém que não siga o FC faz ideia do que é arranjar apenas 10 músicas para esta lista. Mais difícil só mesmo se tivesse de eleger 10 músicas realmente boas (é possível que nem conseguisse eleger 5). Mas como eu gosto de proporcionar momentos de alegria e de "wtf is that?" às pessoas que perdem tempo a ler as minhas parvoíces, fiz o esforço. Apreciem então tudo o que de melhor passou pelo FC:

 

Jorge Guerreiro - Ai Lisboa (2010)

 

 

Em quase todos os festivais aparece uma destas piroseiras. É tão certo haver uma música sobre o quão bonito é o nosso país (ou, neste caso, Lisboa) como uma sobre os descobrimentos. A maneira como isto passa de fado para pimbalhada sempre me fascinou! 

 

V-Boy - Quando eu penso em ti (2010)

 

 

Não sei como mas tinha-me esquecido desta preciosidade. Cérebro estúpido. Ponto 1: V-Boy é capaz de ser o nome mais azeiteiro que já passou no FC. Fiquei conquistada logo com as primeiras notas mas a maneira como tudo isto se desenvolve é incrível. "Eu era aquele que tava sempre presente (...) que só pensava na gente" - qual Bob Dylan, o prémio nobel devia ir para o autor desta letra. Mais, a coreografia é brilhante e a forma como o cantor se cala durante metade da música é fascinante.

 

Filipa Galvão Telles - O amor não sabe (2010)

 

 

Ao que parece há pessoas que gostam mais de passar vergonhas do que eu. Tudo bem. Se não as houvesse não podia estar a rir-me neste momento de toda esta atuação. Ainda hoje me estou a perguntar se esta senhora passou fome para caber naquele vestido lindissimo ou se é só esquelética.

 

Homens da Luta - A luta é alegria (2011)

 

 

Apreciem o facto de a única "música" de 2011 que chegou a esta maravilhosa lista ser a vencedora. Como é que isto venceu? Bem, antes de mais um certo júri da RTP (que percebe bastante de música como podem imaginar) achou que isto estava entre as melhores músicas recebidas nesse ano para participar no FC. Se isto fazia parte das melhores, não quero imaginar o resto. Depois o júri regional do FC achou por bem dar pontos a isto. Porquê? Ninguém sabe.

 

Carlos Costa - Queres que eu dance (2012)

 

 

Se estão a ver isto depois de almoço/jantar e vos provoquei uma indigestão, as minhas sinceras desculpas. Se isto fosse um top, esta seria obviamente o meu primeiro lugar. A quem não conhecia esta pérola: de nada. A quem ficou com isto na cabeça: desculpem.

 

Pedro Macedo - Outono em forma de gente (2012)

 

 

Acho que o nome da música faz logo com que ninguém a queira ouvir de tão estúpido que é. A transição dos versos para o refrão indicam que isto não demorou mais de 10 minutos a ser composto. Os coros no refrão dão-lhe um ar... como é que hei-de dizer... ridículo.

 

Gerson Santos - (Re)descobrir Portugal (2012)

 

 

Lembram-se de falar nas músicas sobre o nosso belo país? Cá está mais uma. Porque é que esta pior que a anterior? Primeiro porque é mais pirosa e depois porque o compositor conseguiu pegar numa voz com potencial e dar-lhe isto. "Aldeias tantas, e ilhas santas, hei-de um dia visitar (...) provo licores e vinagres (...) nas ondas dos teus cabelos e acordar com o galo de barcelos", é preciso continuar?

 

Pamela Salvado - Fica a saudade (2012)

 

 

Vamos ignorar o facto de isto ser a maior seca que já apanhei a ver o FC. Vamos também ignorar também a voz extremamente irritante. Vamos ignorar tudo portanto. Nota-se muito que o FC 2012 foi, de longe, o pior que alguma vez vi?

 

Madalena Trabuco - Coração de filigrana (2014)

 

 

Ouviram? Conseguem comentar? Então força, porque eu não consigo.

 

Rubi Machado - Quando a lua voltar a passar (2015)

 

 

Não sei se o melhor é a música em si, a letra ou a voz que nem se ouve! Uma maravilha de se ver ao vivo como devem imaginar.

 

 

Gonçalo Tavares - Tu tens uma mágica (2015)

 

 

A pena que eu tenho de não haver a atuação disto no youtube! Felizmente dá para perceber o meu amor por esta música só de a ouvir. "Tens garras de metal, que é fundamental p'ra chegar ao sol" - amigos isto é poesia da boa. Análise mais completa desta música aqui.

 

 

Ontem foi um excelente dia para ser fã da Eurovisão

99.9% das pessoas não fazem ideia que os fãs eurovisivos perdem horas de vida a ver finais nacionais de outros países. O que é que são finais nacionais? São os festivais da canção dos outros países (geralmente melhores). Ontem houve sete. Eu optei por ver a da Suécia porque é sempre a melhor a nível de espetáculo (não necessariamente a nível musical) e porque sou a fã número 1 (e possivelmente a única) de um dos apresentadores. Passam as músicas e eis que chega aquela parte do interval act que em Portugal é sempre um medley de canções do Festival da Canção. Neste caso foi exatamente o mesmo, mas em bom! Aliás, bom é pouco para descrever isto:

 

 

Claro que isto faz muito mais sentido quando se conhecem as músicas e atuações, mas é genial na mesma. E pensar que a grande maioria dos fãs eurovisivos odeia este homem...

 

Para melhorar a minha noite, houve porrada em Espanha porque o júri decidiu ir contra a vontade do público. No fundo eu estava-me a rir mas com bastantes certezas que no FC vai acontecer o mesmo.

 

Depois disto a Itália ainda elege para a Eurovisão uma música absolutamente genial com uma atuação épica em que há um macaco em palco. Há dias muito bons para se ser eurofã!

 

As pessoas no comboio

Isto não tem nada a ver com o facto de eu ter visto o filme "A rapariga no comboio" há pouco tempo mas sim com o facto de eu ter passado muito tempo em comboios quando andava na faculdade. Todo este tempo me permitiu analisar os vários tipos de pessoas que viajam em comboios. Assim de repente vêem-me à cabeça oito tipos de pessoas. 

 

As estudiosas

 

As viagens de comboio são tão longas e chatas que tirar umas folhas de apontamentos e começar a lê-las (ou a olhar para elas simplesmente) parece a melhor atividade do mundo. Curiosamente nunca cheguei a um ponto de tédio tão grande que me desse para estudar.

 

As informadas

 

Há sempre alguém que vai a ler o jornal. Sobretudo se for da parte da manhã. Geralmente é o Correio da Manhã por isso também não sei até que ponto é que posso chamar a estas pessoas "informadas".

 

As sociáveis

 

Aqui há dois subgrupos: aquela que falam ao telemóvel durante a viagem inteira e para todo o mundo ouvir e as que decidem falar com a pessoa que está ao lado porque supõem que ela quer ouvir as suas histórias.

 

As preguiçosas

 

Este é um dos grupos com o qual eu me identifico. Há pessoas que vão sempre de olhos fechados mesmo que não estejam a dormir. Não interessa se são 7 da manhã ou 4 da tarde, qualquer hora é boa para fechar os olhos no comboio e abri-los apenas quando estivermos a chegar ao nosso destino.

 

As desportistas

 

Há pessoas que vão de pé o caminho todo. Isto é perfeitamente plausível se não houver lugares. Acontece que na maioria das vezes há lugares mas parece que há gente que gosta ainda menos de pessoas do que eu e prefere ir de pé a correr o risco de tocar numa pessoa. São pessoas que gostam de se exercitar. Há outra vertente de desportistas que é aquele grupo que se levanta meia hora antes de chegar ao destino. Porquê? Não sei, mas eles lá devem ter as suas razões.

 

As musicais

 

Diria que esta categoria é a mais abrangente. Quem é que não tem sempre os fones à mão para tentar iludir-se de que a viagem está melhor só porque estamos a ouvir música? 

 

As leitoras

 

Levar um livro para ler no comboio dá um ar de pessoa inteligente. É por isso que, de vez em quando, eu me esforço para carregar um livro na mala. Claro que, no meu caso, estar a ler a mixórdia de temáticas ou a biografia de um futebolista não é inteligente mas sim parvo, mas as pessoas normais lêem livros normais.

 

As multitasker

 

Alguma vez praticaram duas destas atividades ao mesmo tempo? Já? Parabéns, são excelentes multitasker. Eu, como não abdico da minha música, tenho por hábito ler ou "dormir" com os fones nos ouvidos. Claro que acabo por não ouvir música nenhuma nestes dois casos, mas pelo menos as pessoas percebem que não estou disponível para ser chateada.

 

O Festival da Canção 2017

Depois de um ano em que a RTP pensou "para quê ir à Eurovisão se não vamos passar da semifinal?", parece que este ano estão a apostar tudo. Pelo menos parece, a julgar pelos nomes tanto dos cantores como dos compositores do Festival da Canção 2017. Para começar, a regra de todas as canções serem em português acabou. Não é algo que me agrade de todo nem acho que possa fazer grande diferença - uma má música não passa a ser boa por ser cantada em inglês. Ainda assim há apenas 3 músicas em inglês, o que me alegra. Os compositores (16 no total) foram contactados em outubro e portanto tiveram tempo para preparar boas músicas. Todos eles são conhecidos no panorama musical português (uns mais, outros menos) sendo que grande parte deles se estreiam nisto do Festival da Canção.

 

Mas foi a revelação dos nomes dos cantores que mais chamou a atenção até do público que geralmente não segue o evento. Senão vejam bem as duplas que estarão a concurso:

 

Márcia (Compositora Márcia)
Golden Slumbers (Compositor Samuel Úria)
Fernando Daniel (Compositor Nuno Feist)
Deolinda Kinzimba (Compositora Rita Redshoes)
Rui Drumond (Compositor Héber Marques)
Lisa Garden (Compositor Siraiva)
Salvador Sobral (Compositora Luisa Sobral)
Viva La Diva – Kika cardoso, Luís Peças e João Paulo Ferreira (Compositor Nuno Gonçalves)
David Gomes (Compositor Tóli César Machado)
Lena d’Agua (Compositor Pedro Silva Martins)
Beatriz Felício (Compositor Jorge Fernando)
Pedro Gonçalves (Compositor João Pedro Coimbra)
Helena Kendall (Compositor João Só)
Celina da Piedade (Compositora Celina da Piedade)
Jorge Benvinda (Compositor Nuno Figueiredo)
A definir (Compositor Noiserv)

 

Destes, os primeiros 8 estão na primeira semifinal e os outros na segunda (uau, que conclusão genial). Ou seja, logo na primeira semifinal temos os últimos três vencedores do The Voice, a vencedora do Factor X e a Márcia (sendo que os outros são menos conhecidos mas eu andei a espreitar o trabalho deles e também os acho excelentes candidatos). A segunda semifinal é deveras menos interessante mas estou aqui a julgar nomes em vez de músicas. Quem sabe se os nomes mais sonantes não terão as piores músicas e os nomes menos conhecidos as melhores? Para confirmar ou desmentir temos de esperar pelos dias 19 e 26 de fevereiro, mas posso garantir que, entre as 16 músicas, há pelo menos uma bastante boa que nos daria um bom lugar na Eurovisão. Será certamente a minha preferida e aquela que terá o meu voto, e atrevo-me mesmo a dizer que dificilmente não será a vencedora, mas isto de julgar um Festival inteiro conhecendo apenas uma música não é fácil.

 

Confesso que, tirando a música referida, não tenho grande esperanças até porque na maioria das entrevistas que li dos compositores, todos dizem que querem é fazer um festival de boa música e celebrar a música portuguesa. Isso é tudo muito bonito mas eu quero é ter uma boa música na Eurovisão para não passarmos a vergonha habitual. Mas sejamos honestos: quantas destas pessoas conhecem de facto a Eurovisão? Não duvido que a qualidade musical deste FC será superior à dos últimos anos (como se fosse preciso muito), mas duvido que sejam muitas as músicas a concurso capazes de ter um bom lugar na Eurovisão. É esperar para ver.