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Isto É Peanurs

Isto aconteceu mesmo?

Ganhámos a Eurovisão. Ganhámos a Eurovisão. Ganhámos a Eurovisão. Ganhámos a Eurovisão. Ganhámos a Eurovisão. Ganhámos a Eurovisão. 

 

Estou a repetir isto para ver se acredito que uma vez que é real. Nunca pensei que este dia pudesse chegar, sobretudo depois de 2008, mas chegou! E para uma super fã eurovisiva como eu sou, isto significa muito. Não sou maior amante da música nem sequer a tinha no top 5, mas chorei até mais não quando me apercebi que íamos mesmo ganhar.

 

E, se durante a semana eurovisiva, li uns quantos comentários de ignorantes sobre o Festival, agora que isto tudo acabou, já vi críticas sobre Lisboa ter sido escolhida como cidade sede. Queriam fazer isto onde? Se não se ganha, há críticas, se se ganha também. É preciso paciência. Felizmente daqui a uma semana já ninguém se lembra de nada.

 

E enganem-se os que acham que a Eurovisão é um concurso de mediocridade musical. Vejo isto há anos e este foi de longe o pior ano a nível musical. Se quiserem nomes de boas músicas com atuações simples (porque ao que parece agora em Portugal ninguém gosta de grandes espetáculos) digam que eu providencio.

 

Até para o ano Lisboa!

 

Ganhámos a Eurovisão. Ganhámos a Eurovisão. Ganhámos a Eurovisão. Ganhámos a Eurovisão. Ganhámos a Eurovisão. Ganhámos a Eurovisão. 

5 ideias de negócio para a vinda do papa

Empreendedores deste país: se têm dinheiro para investir em boas ideias atentem nas seguintes. São todas relacionadas com a vinda do papa Francisco e de fácil execução.

 

1. Velas perfumadas de Fátima

 

Quem é que não gosta de queimar umas velinhas com cheiro a baunilha para dar um odor agradável ao seu quarto (ou a outro sítio qualquer da casa)? Então que tal juntar o útil ao agradável e usar a matéria-prima que Fátima tem os molhos para produzir velas com cheiros agradáveis? Com umas bloggers de moda a promovê-las era coisa para se vender rapidamente.

 

2. Bandeiras portuguesas religiosas

 

Há muito por onde pegar nesta ideia e depende da criatividade de cada um mas a minha proposta seria trocar a esfera armilar por uma hóstia e depois pendurar essas bandeiras à janela como se estivéssemos no Euro 2004.

 

3. Ginja com rótulos especiais

 

A ginja dos castelos de Ourém (é só um castelo mas as pessoas insistem em dizer assim) já é "famosa" por si só e com um rótulo especial com a cara do papa e a frase "garrafa comemorativa dos 100 anos das aparições" o preço subia e as vendas também.

 

4. Baloiços em forma de terço

 

O terço gigante que está em Fátima é tão bonito que não há como não querer uma obra daquelas no nosso jardim. Pendurava-se em duas árvores e era diversão garantida. Falem lá com a Joana Vasconcelos que eu deixo-a plagiar a minha ideia.

 

5. Estadia nas grutas

 

Já não há hotéis e também já não está propriamente frio portanto junta-se o útil ao agradável e dá-se abrigo nas grutas existentes em Fátima, que ainda são algumas, para as pessoas passarem uma noite agradável e sem calor.

Música de "apoio" para a Eurovisão

Há pouco menos de um ano concretizei uma das ideias mais parvas que alguma vez me ocorreu. Quero acreditar que o milagre de a nossa seleção ter ganho o Euro 2016 nunca teria acontecido se não fosse a minha música de apoio e, por isso mesmo, pareceu­-me lógico comprovar esta teoria com algo ainda mais impossível: vencer a Eurovisão. Escusado será dizer que, se isso acontecer, a próxima música que vou fazer é sobre o dia em que eu ganho o Euromilhões.

 

Fiquem com a minha (muito pouco) fantástica versão de "Amar pelos dois":

 

 

 

P.S. Se acham que eu canto mal, vão ouvir a Lena D'água que isso passa

13 reasons why... que na verdade são só uma

 

Não sou de ver séries só porque toda a gente diz que são boas (porque geralmente nunca são assim tão boas) mas a premissa desta pareceu-me interessante. Uma rapariga suicida-se e deixa 13 cassetes a explicar as 13 razões pelas quais o fez. Até aqui tudo interessante, o problema é quando começamos a ver a série e percebemos que, se calhar, todos nos devíamos ter suicidado quando passámos pela adolescência. Claro que o que aconteceu foi um acumulado de muitas coisas, mas o que é certo é que muitas delas são coisas do dia-a-dia. Se o deviam ser? Claro que não, num mundo ideal ninguém passaria por nenhuma destas situações mas a verdade é que todos nos podemos identificar com algumas delas.

 

Estive prestes a desistir da série depois de meia dúzia de episódios em que se passou pouco mais que nada mas continuavam a dizer-me para esperar porque mais à frente ia perceber a grande razão pela qual ela se suicidou. "Mais à frente" significa no penúltimo episódio (o único que vale a pena ver, diga-se). Foram precisos 12 episódios (sendo que a série tem 13) para perceber tudo. E o mais triste é que foi tudo tão mal construído que quando percebemos realmente a grande razão a única coisa que nos vem à cabeça é "estava a ver que não te tinha acontecido nada de jeito" ( pelo menos foi o que eu pensei). Isto só serviu para provar que, mais uma vez, as séries que agradam à maioria não me agradam a mim.

 

 

A qualidade literária da Eurovisão #2

 

Não sei se é moda mas as músicas ultimamente têm letras cada vez mais profundas. Parece que o Fernando Pessoa teve um ataque de esquizofrenia ainda maior que o normal e juntou os 300 heterónimos ao mesmo tempo para criar letras que saíram sabe-se lá de onde. E se na Eurovisão as tendências musicais são seguidas à risca (por isso é que entre 42 canções há umas 35 que são praticamente iguais), as tendências literárias não lhe ficam atrás.

 

Comecemos pela Austrália (porque é que a Austrália participa na Eurovisão? Ninguém sabe, mas quantas mais músicas medianas, melhor) que envia um rapaz de 17 anos a dizer que já se queimou demasiadas vezes para amar facilmente, daí que com ele o amor não seja fácil nem barato. Vale a pena lembrar que o cantor tem 17 anos e, a menos que seja vampiro e os 17 anos equivalham a 100, não me parece que tenha vivido o suficiente para se "queimar" assim tantas vezes, a menos que isto seja literal e aí começo a preocupar-me com a saúde mental e física do rapaz. 

 

"It don't come easy and it don't come cheap
Been burned too many times to love easily"

 

Avançamos e diz ele que se costumava mover rapidamente para apagar o passado. Não querendo ser óbvia, a menos que ele tenha alzheimer (muito precoce) não apaga nada. Felizmente ele chega a essa conclusão no verso seguinte.

 

"I used to move in fast to erase my past
But it never works, no, it never lasts, no"

 

Passemos para a Bélgica, cuja música andou nas bocas de todos assim que saiu. Eu, que sou hater por excelência daquelas músicas de que todos parecem gostar, nunca consegui ouvir isto até ao fim. Possivelmente porque a voz dela me irrita e dá sono. É isso ou o facto de ela dizer, e cito: "completamente sozinha na zona de perigo, estás pronto/a para agarrar a minha mão?". Amiga, se estás sozinha, quem é que te vai agarrar a mão? Um fantasma? O teu amigo invisível?

 

Por falar em zona de perigo, é possível que nessa zona estivesse a representante do Azerbaijão tendo em conta que toda a música em si tem uma envolvente de perigo e a frase mais repetida é "Have my skeletons". Das duas uma: ou ela coleciona esqueletos, ou tem mais que um o que me parece excelente caso precise de peças suplentes, mas ao mesmo tempo bastante injusto tendo em conta que se eu partir costela não tenho nenhum esqueleto bónus para tratar disso.

 

A Islândia é um dos casos de maior esquizofrenia/estupidez deste ano. Ponto um: ele está debaixo de água a tentar puxá-la. Se alguém nos está puxar para debaixo de água é geralmente contra a nossa vontade a menos que sejamos sereias, certo? Errado. Porque ela procura-o. Sim, ele está a puxá-la para debaixo de água e ela procura-o. Porquê? Não sei, não sou assim tão boa a decifrar códigos. (Notem como não há ponto dois).

 

"You’re under the water
Trying to pull me under
I reach for you
I reach for you"

 

Mas se acham que esta maravilha acaba aqui, preparem-se para esta citação: "fazes-me sentir como papel, cortas mesmo através, estou presa a ti como cola, papel...". Eu sei que isto parece inventado, mas não é. Ora eu já experienciei imensas emoções mas nunca me senti como papel. Aliás, atrevo-me mesmo a dizer que além da Svala (que é a cantora), nunca ninguém se sentiu como papel. Como é que nos sentimos como papel? Assumimos os sentimentos de um papel? E que sentimentos é que um papel pode ter? Confesso que sempre achei que aqueles papéis coloridos tinham outro ar que os brancos não têm e por isso imagino sempre que nesta canção ela se refere a um papel azul ou amarelo, mas nunca a um branco. Poderá uma folha A4 branca ter sentimentos? É a questão que fica no ar.

 

Continuamos numa viagem pelas ilhas e vamos até Chipre (não literalmente) apreciar três minutos de puro barulho (que no fundo é o que isto é) em que se ouve, no meio de uma música de amor, "let me be, be your gravity". Não sei se quem escreveu esta letra tem noção do que é a gravidade mas cá fica "Gravidade é o fenómeno de atração que comanda a movimentação dos objetos. Na Terra, a gravidade é a propriedade que faz com que os corpos se dirijam para o centro da terra", ou seja, a gravidade é o que faz as coisas cair. Portanto ele quer ser aquilo que a faz cair. Que este tipo de romantismo nunca acabe!

 

Ainda nas ilhas temos aquela música de que ninguém se lembra e que eu não faço ideia a que é que soa. A única coisa de que me lembro são dois versos que dizem: "sem fôlego, vou estar a ver-te para sempre, sabendo que há uma vaga no teu coração". Mais uma vez temos aqui amor ao mais alto nível. Para quem não sabe (ou para quem não se lembra como eu não me lembrava até a Elizabete me alertar para isso) o nosso coração está divido em 4 partes e por isso ela está à espera que ele morra para depois ficar com uma vaga que ele tem no coração. Convém é que ele morra depressa que ela já está sem fôlego.

 

Larguemos as ilhas e vamos até à Áustria onde o próprio nome da canção é uma piada. "Running on air". Sim, correr no ar. Porque isso nem se chama voar nem nada. Felizmente também há letras com bom senso no palco da Eurovisão como é o caso da da Macedónia que afirma que "tudo o que preciso para me mexer é o som do meu coração". Isto é tudo verdade, até ganhares artrite.

 

A Alemanha oferece-nos um plágio manhoso de Titanium com uma letra muito interessante: "I've been walking asleep / Dreaming awake (...) / I'm not afraid of making mistakes / Sometimes it's wrong before it's right / That's what you call a perfect life". Para mim perfeito era encontrar agora o bilhete premiado do Euromilhões, mas para ela é ser sonâmbula, sonhar acordada, cometer erros e as coisas correrem-lhe mal e só depois bem. Seem legit.

 

Nuestros hermanos tiveram uma eleição da canção que os representa bastante interessante. Toda a gente queria uma música bastante má chamada "Contigo" mas o júri acabou por dar a vitória a outra igualmente má chamada "Do it for your lover". E, se não conseguiram decorar o nome por ter demasiadas palavras, não se preocupem porque ele é repetido 21 vezes ao longo dos três minutos que dura a música.

  

No meio disto tudo perdeu-me o melhor verso deste ano quando a Grécia decidiu fazem um revamp da sua música chamada "This is love" (dá para perceber como é má só pelo título, não dá?). Onde agora se ouve "This is love, reaching out for the stars" (que também é bastante mau), antes ouvi-se "This is love, rain falls from above". Genial, não é? "Isto é amor, a chuva cai de cima". Custa-me perceber esta mudança.

 

No meio de 42 músicas há muitas cheias de clichés, básicas e desinteressantes (não é o caso destas). Há uma ou outra boazinhas (como é o caso da nossa) e há uma absolutamente genial que, curiosamente, corresponde à minha música preferida e também grande favorita à vitória final. Senhoras e senhoras, uma genialidade chamada "Occidentali's Karma":

 

 

 9, 11 e 13 de março, sintonizem na RTP1 para verem este fantástico espetáculo repleto de músicas assim-assim.

Fora das quatro linhas

Sempre houve ódio no futebol e isso é um dado adquirido. O que nem sempre houve foram órgãos de comunicação social a espalhar esse ódio. No meu tempo faziam-se notícias sobre futebol e menos sobre extra futebol. No meu tempo os programas para discutir futebol serviam, surpreendentemente, para discutir futebol ao invés do que acontece hoje em dia em que esses programas servem para três atrasados mentais gritarem uns com os outros. Fui lendo umas frases aqui e ali sobre o atropelamento desta madrugada até que decidi ir informar-me no jornal mais vendido do país. O Correio da Manhã conquistou-me logo com o título da notícia:

 

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"Adepto do Sporting assassinado junto ao Estádio da Luz". Notem que se o senhor fosse adepto, diga-mos, da Fiorentina, o impacto deste título seria nulo. Ou se fosse um adepto do Sporting assassinado em frente ao Continente de Telheiras. Ou, ainda mais radical, um homem atropelado em Lisboa. Nenhum destes títulos dava tantos cliques e, curiosamente, também nenhum deles espalhava tanto ódio. Abrimos a notícia e temos um festival de suposições: "Um italiano ligado à Fiorentina mas que também será adepto do Sporting", "Marco Ficini, de 41 anos, estaria com elementos da claque leonina Juve Leo, de que faria parte"... Os "será", "estaria" e "faria" criam um clima de certeza mas ao mesmo tempo de dúvida. Isto é o melhor que se pode fazer no "jornalismo": não há certezas? Mete-se um talvez que o pessoal acredita e nós depois podemos desmentir dizendo que nunca fizemos afirmações.

 

Estou ansiosamente à espera para ver como vai ser tratado este caso no Prolongamento, aquele programa onde se discute tão bem o que se passa nas quatro linhas. É curioso que tirei Ciências da Comunicação porque queria ser jornalista de desporto e, hoje em dia, não me consigo identificar sequer com o jornalismo feito neste país. Se há bom jornalismo e bons jornalistas? Claro que há. Ainda há umas semanas tive o prazer de conhecer o Carlos Daniel e dizer-lhe o quanto o admiro enquanto jornalista e comentador desportivo. O problema do mau jornalismo são as pessoas que lêem/vêm este lixo, porque no momento em que o sensacionalismo deixar de vender, os órgãos de comunicação social vão ter de apostar noutra coisa. Até lá vão-se alimentando ódios. 

Claques

Já todos sabemos que em Portugal o futebol se joga sobretudo fora das quatro linhas. Geralmente isso faz-se naqueles programas interessantíssimos em que se reúnem uns atrasados mentais a gritar uns com os outros. De vez em quando faz-se mais perto das quatro linhas como tem sido o caso. Começaram os Super Dragões a desejar que a equipa do Benfica estivesse no avião da Chapecoense. Pessoalmente gosto mais daquele cântico típico que tem implícito que as mães dos benfiquistas praticam uma profissão isenta de impostos, mas são gostos. A seguir vêm os No Name e declamam uma bela letra sobre o adepto sportinguista que morreu há uns quantos anos no Jamor. 

 

Os clubes já vieram pedir desculpas e tal, os adeptos com cérebro já disseram que aquela gente não os representa (ou então ignoraram como eu), mas parece-me que há aqui uma coisa que está a escapar a toda a gente: a qualidade literária e musical destes cânticos. Será que as pessoas que os escrevem alguma vez ouviram os da Premier League? Certamente que não. Lá fazem-se coisas com uma qualidade literária incrível, aqui escrever dois versos já é dramático. 

 

 

 

Quem é que ensaia estas coisas? É que se vão passar meia hora a dizer a mesma coisa, convém que inovem de alguma maneira. Fica aqui a minha dica: dividam o pessoal - tenores para um lado, barítonos para o outro - e façam umas harmonias engraçadas que assim pode ser que as pessoas normais ignorem a vossa estupidez e pensem "sim senhor, excelente arranjo vocal que aqui está". Se quiserem apostar a sério nisto, metam um anúncio para pessoas que saibam escrever e peçam-lhes que escrevam uma música inteira. Eu sei, o vosso cérebro não é enorme e decorar mais que dois versos não pode ser fácil, mas com força de vontade tudo se consegue. Depois é tentarem conquistar o máximo de adeptos burros que conseguirem. Eu até me achava uma candidata interessante para a parte das letras, mas infelizmente já estou comprometida com aquele tipo de adeptos que vai ao estádio e entoa cânticos de apoio à equipa, senão mandava-vos já o meu currículo. 

Hater vs eu

Se questionarem os meus amigos sobre mim, entre as palavras sarcasmo, Benfica e eurovisão vai aparecer a frase "ela odeia o mundo". Calúnias. Eu não odeio mundo mas de facto as pessoas (não todas mas uma grande parte) fazem-me confusão. Infelizmente, por muito que odeie muita coisa e há muito tempo, não sou ninguém ao pé dos odiadores profissionais que apareceram nos últimos tempos, os chamados haters.

 

Um hater difere de mim principalmente no tempo gasto a odiar. Eu, que sou uma mera pessoa que não gosto de algumas coisas/pessoas, limito-me a gastar uns segundos de vida a odiar essa coisa/pessoa quando ela me aparece à frente ou me falam nela. Tirando isso, nem sequer me lembro que essa coisa/pessoa existe.

 

O hater faz o seu trabalho sério. Sobretudo nas redes sociais, que ao vivo as coisas tornam-se mais complicadas. Hater que é hater perde horas de vida nas redes socias das pessoas de quem não gosta a comentar todas as fotos e publicações que esta pessoa alguma vez fez. Percebe que ninguém lhe liga e vai para grupos de facebook incitar à discussão e dizer mal das pessoas de quem não gosta a outras pessoas para tentar cultivar o ódio. Pessoalmente? É um amor de pessoa. Fazem falta pessoas como eu que se limitem a odiar mas não sejam haters. Estou a pensar fazer workshops de ódio e de como o controlar porque a linha entre ser odiadora e hater é ténue e nunca se sabe quando é que a vamos ultrapassar.